Apito. Chiado. Som de cigarra. Chuvisco de rádio fora do ar. Zumbido no ouvido é a percepção de um som desses sem que exista nenhuma fonte sonora real por perto. Ele afeta entre 10% e 15% da população mundial em algum grau, segundo estimativas citadas em pesquisas recentes. Pode aparecer em um ouvido só ou nos dois, ser constante ou ir e vir.
Fabio Horsth Catão (CRFa 22368) assina a revisão técnica deste conteúdo. Ele é fonoaudiólogo, engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble, e dirige a Auditif.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, o zumbido tem explicação. Em boa parte deles, tem manejo eficaz também. A má notícia, por outro lado, é que existem dezenas de causas possíveis. Isso torna fácil cair em conteúdo genérico demais. Ou, pior, em promessas de cura vendidas por suplementos sem respaldo científico. Este guia cobre o essencial, portanto: o que causa, quando investigar com urgência e o que a ciência mais recente descobriu sobre o assunto.
O Que É Zumbido, Afinal
Zumbido, ou tinnitus, não é uma doença. É um sintoma. Ou seja, é a percepção consciente de som na ausência de estímulo sonoro externo. Pode se manifestar de formas bem diferentes de pessoa para pessoa. Um apito agudo e constante, um chiado que varia de intensidade, ou até uma pulsação que acompanha o próprio batimento cardíaco.
Existem duas categorias amplas. No zumbido subjetivo, de longe o mais comum, apenas quem tem o sintoma consegue ouvi-lo, e a origem está em algum ponto do sistema auditivo ou nervoso. O zumbido objetivo, por sua vez, é mais raro. Em teoria, um profissional pode até captá-lo durante o exame. Geralmente, no entanto, está ligado a causas vasculares ou musculares específicas.
As Causas Mais Comuns do Zumbido
A causa mais frequente é a perda auditiva, seja por exposição a ruído ao longo dos anos, seja pelo envelhecimento natural do ouvido (presbiacusia). Quando as células responsáveis por captar determinadas frequências sonoras se danificam, o cérebro parece “preencher” essa ausência de sinal com um som próprio. É esse mecanismo, aliás, que explica por que zumbido e perda auditiva costumam andar juntos.
Cera acumulada no canal auditivo é outra causa comum. Felizmente, é uma das mais simples de resolver. O excesso de cerume pode pressionar o tímpano e gerar zumbido temporário, que costuma desaparecer após a remoção profissional. Já o zumbido pulsátil, aquele que acompanha o ritmo do coração, é diferente. Normalmente está associado a alterações no fluxo sanguíneo próximo ao ouvido, incluindo pressão alta. Por isso, merece avaliação médica específica.
Alguns medicamentos também podem causar ou piorar o zumbido como efeito colateral: certos anti-inflamatórios em doses altas, alguns antibióticos e quimioterápicos, entre outros. Estresse, ansiedade e noites mal dormidas não costumam ser a causa raiz. Mas funcionam como amplificadores. O zumbido já existente fica mais perceptível em períodos de tensão emocional ou cansaço extremo.
A Descoberta de 2026: a Ligação Entre Serotonina e Zumbido
Um dos avanços mais relevantes dos últimos anos sobre zumbido apareceu na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), em abril de 2026. Pesquisadores da Oregon Health & Science University, nos Estados Unidos, se uniram à Anhui University, na China. Juntos, mapearam pela primeira vez um circuito neural específico. Esse circuito liga a serotonina, o mesmo neurotransmissor associado ao tratamento de ansiedade e depressão, a comportamentos de zumbido em modelos animais.
Os pesquisadores usaram uma técnica chamada optogenética, que permite ativar neurônios específicos com luz. Assim, identificaram um caminho direto entre uma região do cérebro que produz serotonina e a área auditiva responsável por processar som. Ao ativar esse circuito, os animais passavam a apresentar respostas comportamentais associadas ao zumbido. Ao desligá-lo, por outro lado, essas respostas diminuíam de forma significativa.
Fabio Catão (CRFa 22368) contextualiza o que esse achado muda na prática.
“É um achado importante porque, pela primeira vez, existe um circuito específico mapeado. Não é mais só uma associação estatística entre serotonina e zumbido, é um caminho neural concreto”, explica ele. “Isso não significa que quem toma antidepressivo vai necessariamente ter zumbido. Também não significa que deva parar a medicação. É um estudo em camundongos, e qualquer decisão sobre medicação psiquiátrica precisa ser conversada com quem prescreveu.” O valor da descoberta, segundo ele, está em abrir caminho para tratamentos mais precisos no futuro.
É importante reforçar que a pesquisa não trata a serotonina como vilã. Ela é essencial para o equilíbrio emocional. Na verdade, o estudo trata de um circuito neural específico ativado em excesso, não do neurotransmissor em si. O achado ajuda a entender melhor por que o zumbido varia tanto de intensidade entre pessoas com quadros parecidos. Não é uma orientação para mudar tratamento por conta própria.
Quando o Zumbido é Motivo de Preocupação
Na maioria dos casos, o zumbido é incômodo, mas não é sinal de algo grave. Alguns sinais, porém, pedem avaliação mais rápida. Entre eles: zumbido que aparece de forma repentina em um ouvido só, principalmente se vier com perda auditiva súbita ou tontura. Também vale atenção ao zumbido pulsátil, que acompanha o batimento cardíaco, e ao zumbido com dor, secreção ou pressão intensa no ouvido.
“Zumbido que surge do nada, num ouvido só, é diferente de um zumbido leve que aparece depois de um show”, diz Fabio Catão (CRFa 22368). “No primeiro caso, procurar avaliação com urgência faz toda a diferença. No segundo, ainda assim compensa investigar, mas com menos pressa. O importante é não deixar passar meses sem entender a causa.”
Um exame de audiometria costuma ser o primeiro passo para investigar zumbido. Ele ajuda a identificar se existe perda auditiva associada, o que acontece na grande maioria dos casos.
Zumbido Tem Cura?
A resposta honesta é: depende da causa. Quando o zumbido está ligado a algo pontual e tratável, resolver a causa costuma eliminar o zumbido também. Pode ser cera acumulada, uma infecção ou um medicamento específico. Já quando ele está ligado a perda auditiva permanente ou a alterações mais complexas do sistema nervoso, a história muda. Não existe cura garantida nesses casos. Mas existe manejo eficaz, que reduz bastante o incômodo no dia a dia.
Isso inclui o uso de aparelhos auditivos, quando há perda auditiva associada. A amplificação de sons externos ajuda o cérebro a não “preencher o vazio” com o zumbido. Também inclui terapias sonoras, que utilizam ruído ambiente para reduzir aos poucos a percepção do zumbido ao longo do tempo. Desconfie, portanto, de qualquer produto vendido com promessa de eliminação garantida e imediata. Zumbido, afinal, é um sintoma complexo. Tratamento sério envolve investigação e acompanhamento, não uma pílula milagrosa.
Como É Feita a Avaliação de Zumbido na Auditif
A avaliação começa com uma conversa detalhada sobre como e quando o zumbido aparece. Em seguida, vem um exame de audiometria, que verifica se existe perda auditiva associada. Esse resultado, por sua vez, orienta praticamente todo o resto do processo. Dependendo do que a avaliação identificar, a orientação pode envolver encaminhamento médico, quando há suspeita de causa vascular ou clínica. Ou, ainda, pode envolver o uso de aparelho auditivo com recursos específicos de terapia sonora, quando a perda auditiva faz parte do quadro.
A avaliação inicial é simples e não exige nenhum compromisso de compra. É o ponto de partida para entender o que está por trás do zumbido antes de decidir qualquer próximo passo. Se você já sabe que tem perda auditiva associada ao zumbido, vale conhecer as opções de aparelhos auditivos e acessórios disponíveis.
O Que Ajuda a Reduzir o Incômodo no Dia a Dia
Algumas mudanças simples de rotina ajudam durante a investigação e o tratamento da causa. Evitar silêncio total, por exemplo, ajuda bastante. Em ambientes muito quietos, o zumbido fica mais perceptível por contraste. Manter um som de fundo suave, como um ventilador ligado ou música baixa, pode reduzir o incômodo à noite. Cuidar do sono também importa: noites maldormidas tendem a deixar o sistema nervoso mais sensível, e isso inclui a percepção do zumbido.
Reduzir cafeína e álcool ajuda em algumas pessoas. O efeito, porém, varia bastante de caso para caso. Vale observar se existe relação direta antes de cortar tudo de uma vez. Para quem trabalha ou frequenta ambientes barulhentos, usar proteção auditiva adequada também ajuda. Afinal, a exposição repetida a ruído alto é uma das causas mais evitáveis de zumbido crônico.
Perguntas Frequentes
Zumbido no ouvido é grave?
Na maioria dos casos, não. Mas alguns sinais pedem avaliação rápida: início repentino em um ouvido só, zumbido pulsátil, ou zumbido acompanhado de perda auditiva súbita, dor ou tontura.
Zumbido no ouvido tem cura?
Depende da causa. Quando ligado a algo pontual, como cera ou medicação, tratar a causa costuma resolver o zumbido. Quando ligado a perda auditiva permanente, não há cura garantida, mas existe manejo eficaz que reduz bastante o incômodo.
Antidepressivo pode causar zumbido?
Um estudo de 2026 identificou um circuito neural ligando serotonina a comportamentos de zumbido em modelos animais. Isso não significa que todo mundo que toma antidepressivo vai ter zumbido. Também não justifica parar a medicação sem orientação médica. Qualquer dúvida sobre isso deve ser conversada com quem prescreveu o medicamento.
Por que o zumbido piora à noite?
Porque o silêncio ao redor reduz a quantidade de som externo. Isso faz o zumbido, que já existia, ficar proporcionalmente mais perceptível por contraste. Não é que ele necessariamente aumente de intensidade.
Onde fazer avaliação de zumbido em Mogi das Cruzes, Suzano ou Guarulhos?
A Auditif atende nas três unidades, com avaliação inicial que investiga a causa antes de indicar qualquer tratamento.
Pronto para agendar uma avaliação com a Auditif?
O formulário desta página já permite agendar uma avaliação. Basta preencher com seus dados e escolher a unidade mais próxima: Mogi das Cruzes, Suzano ou Guarulhos.
Escrito por
Conteúdo produzido pela equipe da Auditif e revisado por Fabio Horsth Catão, fonoaudiólogo (CRFa 22368), engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble (França). Diretor e sócio da Auditif, atua há mais de 20 anos em gestão, pesquisa e atuação clínica em audição, com unidades em Mogi das Cruzes, Suzano e Guarulhos.
