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Zumbido e Sono: Por Que Piora à Noite e Como Dormir Melhor
Zumbido

Zumbido e Sono: Por Que Piora à Noite e Como Dormir Melhor

23/09/2026

A relação entre zumbido e sono aparece em quase toda conversa com quem convive com aquele apito, chiado ou som de cigarra no ouvido. Durante o dia, o som existe, mas fica em segundo plano. Basta apagar a luz, no entanto, para ele ocupar o quarto inteiro. A revisão técnica deste conteúdo é de Fabio Horsth Catão (CRFa 22368), fonoaudiólogo, engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble, na França. Ele dirige a Auditif.

Este texto trata especificamente da noite. Ou seja, por que o zumbido incomoda mais na hora de dormir, o que as pesquisas recentes descobriram sobre esse ciclo e o que costuma ajudar na prática.

Zumbido e Sono: O Que as Pesquisas Mais Recentes Mostram

Em julho de 2026, uma revisão publicada na revista Frontiers in Neurology reuniu estudos clínicos, psicológicos e neurológicos sobre o tema. Os autores descrevem um ciclo vicioso. De um lado, o zumbido atrapalha o sono. De outro, a noite mal dormida aumenta o incômodo com o zumbido no dia seguinte e faz o som parecer mais presente.

Além disso, os pesquisadores vão além de uma relação simples de causa e efeito. Segundo eles, os dois quadros parecem compartilhar mecanismos no sistema nervoso central. Um deles é um estado de alerta que não desliga. Outro é a forma como as áreas do cérebro ligadas à audição conversam com as áreas ligadas à emoção. Por isso, tratar só um dos lados costuma trazer resultado pela metade.

Uma revisão anterior, de 2018, já apontava a insônia como um dos problemas mais frequentes entre pessoas com zumbido. O mesmo trabalho observou que, entre quem tinha zumbido e insônia ao mesmo tempo, de um terço à metade apresentava também outro distúrbio do sono. Mais recentemente, um estudo chinês de 2025 acompanhou 301 pessoas com perda auditiva. A qualidade ruim do sono apareceu entre os fatores mais associados ao zumbido moderado a grave, ao lado da ansiedade.

Por Que o Zumbido Parece Mais Alto à Noite

Na maioria dos casos, o zumbido não aumenta de verdade quando anoitece. O que muda é tudo ao redor dele. Durante o dia, a televisão, o trânsito, a conversa na cozinha e até o motor da geladeira funcionam como um pano de fundo sonoro. Esse pano de fundo disfarça o zumbido sem que a pessoa perceba.

À noite, esse disfarce some. A casa silencia, o ventilador é desligado e o único som disponível passa a ser o de dentro do ouvido. Consequentemente, o cérebro volta a atenção para ele. E existe ainda um componente emocional: deitado, sem nada para ocupar a cabeça, é comum a pessoa começar a monitorar o zumbido. “Será que está mais alto hoje?” Essa vigilância, por si só, aumenta o incômodo.

Fabio Catão (CRFa 22368) observa que essa é uma das queixas mais comuns no consultório, e quase sempre vem acompanhada de um mal-entendido.

“Muita gente chega convencida de que o zumbido piorou. Quando a gente conversa com calma, descobre que durante o dia ele quase some e que o problema começa na hora de deitar. Ou seja, o som é praticamente o mesmo. O que mudou foi o silêncio em volta dele.”

O Ciclo Entre Noite Mal Dormida e Zumbido Mais Intenso

O ciclo costuma se instalar aos poucos. Primeiro, o zumbido atrasa o sono em algumas noites. Depois, a pessoa acorda às três da manhã, escuta o som e não consegue voltar a dormir. No dia seguinte, cansada, fica mais irritada e mais sensível a tudo, inclusive ao próprio zumbido.

Com o tempo, surge um medo antecipado da hora de deitar. A pessoa já vai para a cama esperando uma noite ruim, e esse estado de alerta dificulta ainda mais o sono. Dessa forma, o zumbido deixa de ser só um som e passa a ocupar a rotina. Por isso, a abordagem mais atual trata sono e zumbido em conjunto, em vez de esperar que um resolva o outro sozinho.

Apneia do Sono Também Entra Nessa Conta

Nem toda noite ruim de quem tem zumbido se explica pela insônia. Como vimos, uma parcela importante dessas pessoas tem também outro distúrbio do sono, e a apneia é um dos mais comuns. Na apneia, a respiração para por alguns segundos várias vezes durante a noite. O sono fica fragmentado, mesmo quando a pessoa não se lembra de ter acordado.

Ronco alto, sono que não descansa, cansaço logo cedo e cochilos involuntários durante o dia são sinais que merecem investigação. Nesses casos, o exame do sono (polissonografia tipo IV) ajuda a separar o que é insônia do que é apneia. Afinal, o tratamento de cada um segue caminhos diferentes, e a apneia costuma responder bem ao CPAP. Quando o sono volta a ser contínuo, o zumbido tende a pesar menos no dia seguinte.

O Que Ajuda a Dormir Melhor Com Zumbido

Algumas medidas simples já fazem diferença. A primeira é devolver ao quarto um som ambiente leve, como um ventilador, um aplicativo com som de chuva ou um aparelho de ruído branco. O detalhe que pouca gente conhece: o volume deve ficar um pouco abaixo do zumbido, e não por cima dele. Assim, o cérebro continua escutando o zumbido, mas misturado a outro som, o que reduz o contraste e facilita a habituação.

A segunda medida é manter horários fixos para deitar e levantar, inclusive no fim de semana. Além disso, se o sono não vier em cerca de vinte minutos, a orientação mais usada é sair da cama, fazer algo calmo com luz baixa e voltar só quando o sono aparecer. Parece contraintuitivo. No entanto, ficar rolando na cama ouvindo o zumbido reforça a associação entre cama e desconforto.

Para quem já está preso no ciclo, existe tratamento com evidência. A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) tem estudos específicos em pessoas com zumbido. Da mesma forma, a terapia de habituação trabalha para que o cérebro deixe de tratar o zumbido como sinal de alerta. Em geral, as duas funcionam melhor juntas e com acompanhamento, e não como receita de internet.

Aparelho Auditivo e Zumbido: O Que Muda Antes de Deitar

Quando o zumbido vem acompanhado de perda auditiva, algo muito comum, o aparelho auditivo passa a ter papel direto no alívio. Ele devolve os sons do ambiente que a pessoa deixou de ouvir, e esses sons voltam a disfarçar o zumbido durante o dia. Em outras palavras, o cérebro recebe de novo o pano de fundo que tinha perdido.

Vale um esclarecimento prático: o aparelho auditivo é retirado para dormir. Ainda assim, ele ajuda à noite de forma indireta. Usá-lo até a hora de deitar evita que o silêncio chegue de uma vez. Além disso, muitos modelos atuais têm geradores de som embutidos e aplicativos que tocam sons relaxantes pelo celular, o que facilita a transição para uma caixinha de som na mesinha de cabeceira.

Fabio Catão (CRFa 22368) pondera, porém, que esse benefício depende de uma condição.

“O aparelho só ajuda no zumbido se estiver ajustado para a perda auditiva daquela pessoa, medido dentro do ouvido dela. Se ele amplifica pouco justamente na faixa de frequência do zumbido, o som de fundo não chega onde precisa. Por isso, a gente verifica o ajuste com equipamento antes de dizer que o tratamento está funcionando.”

Quando Procurar Avaliação

Vale buscar avaliação quando o zumbido dura mais de algumas semanas, quando atrapalha o sono com frequência ou quando vem junto de outros sinais, como ouvido tampado, tontura ou dificuldade para acompanhar conversas. O primeiro passo costuma ser um exame de audiometria, que mostra se existe perda auditiva associada e orienta o restante do cuidado.

Tecnologias novas, como a neuromodulação bimodal, estão em estudo e merecem atenção. Enquanto isso, o caminho com evidência sólida continua sendo investigar a causa, cuidar do sono e, quando indicado, usar aparelhos auditivos bem ajustados.

Perguntas Frequentes

É normal o zumbido piorar à noite?

Sim. Na maioria dos casos o som não aumenta de verdade. À noite, sem os ruídos do dia para disfarçá-lo, o cérebro passa a percebê-lo com mais clareza.

Insônia causada por zumbido tem tratamento?

Tem manejo eficaz na grande maioria dos casos. As abordagens com mais evidência combinam terapia cognitivo-comportamental para insônia, terapia de habituação, ajustes de rotina e, quando há perda auditiva, aparelhos auditivos.

Posso dormir usando o aparelho auditivo?

Não é recomendado. O aparelho deve ser retirado para dormir. Usá-lo até a hora de deitar e manter um som ambiente leve no quarto costuma ajudar mais.

Som de chuva ou ventilador ajuda mesmo?

Ajuda, desde que o volume fique um pouco abaixo do zumbido. A ideia é reduzir o contraste entre o zumbido e o silêncio, e não encobrir o som por completo.

Onde investigar zumbido e sono em Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos ou Sorocaba?

A Auditif atende nas quatro cidades, com avaliação auditiva completa e exame do sono. A investigação da causa vem sempre antes de qualquer indicação de tratamento.

Dormir com zumbido não precisa ser uma batalha toda noite.

Use o formulário desta página para agendar uma avaliação. Basta escolher a unidade mais próxima: Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos ou Sorocaba.

Escrito por

Conteúdo produzido pela equipe da Auditif e revisado por Fabio Horsth Catão, fonoaudiólogo (CRFa 22368), engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble (França). Diretor e sócio da Auditif, atua há mais de 20 anos em gestão, pesquisa e atuação clínica em audição, com unidades em Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos e Sorocaba.

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