VPPB é a sigla de vertigem posicional paroxística benigna, a causa mais comum de vertigem. Em geral, a tontura rotatória some depois de uma manobra de reposicionamento, como a de Epley. Só que muita gente continua com uma sensação de chão mole ou cabeça pesada por dias ou semanas. Além disso, a vertigem ainda pode voltar meses depois. A pedido da equipe, o fonoaudiólogo Fabio Horsth Catão (CRFa 22368) fez a revisão técnica deste texto. Ele reúne o que a literatura de 2026 diz sobre o que vem depois do tratamento.
Vale dizer desde já que o diagnóstico e as manobras são feitos pelo otorrinolaringologista ou por um profissional treinado em equilíbrio. Este texto serve para informar quem está nessa situação.
O que é a VPPB
No ouvido interno existem pequenos cristais de carbonato de cálcio, chamados otocônias. Quando alguns deles se soltam e entram em um dos canais semicirculares, os movimentos da cabeça passam a mandar informações confusas ao cérebro. Daí surge a vertigem. É o que a Academia Americana de Otorrinolaringologia descreve ao tratar a VPPB como a principal causa de vertigem, tratada em geral com manobras de reposicionamento.
Além disso, a condição aumenta com a idade. Em adultos acima dos 60 anos, a prevalência é quase sete vezes maior, de acordo com a mesma entidade. Muitos casos, aliás, nunca recebem diagnóstico. Quanto mais tempo a VPPB dura antes do tratamento, maior tende a ser a chance de tontura residual, como se verá adiante.
Como a VPPB costuma aparecer
Na maioria das vezes, o padrão é bastante característico. A vertigem surge ao mudar a posição da cabeça: deitar, virar na cama, olhar para cima para alcançar uma prateleira ou se curvar para amarrar o sapato. Ela começa depois de um a cinco segundos, dura em geral menos de um minuto, e some quando a cabeça volta à posição neutra. Náusea pode aparecer, mas perda de audição e zumbido não fazem parte do quadro típico, segundo uma revisão publicada na Frontiers in Neurology.
Por isso, esse último ponto merece atenção. Quando a vertigem vem acompanhada de queda de audição ou de zumbido, o raciocínio muda, e outras causas do ouvido interno entram na lista.
A manobra funcionou, mas a tontura ficou
A situação é comum o bastante para ter nome: tontura residual. Ela aparece como uma sensação de instabilidade, de flutuar ou de cabeça pesada. Persiste depois que o giro desapareceu e o exame de posicionamento deixou de mostrar sinais da VPPB. A revisão da Frontiers reúne estudos em que a frequência variou de 23% a 70%. A diferença é grande porque a maior parte das pesquisas é pequena. Os próprios autores reconhecem que os números reais podem ser maiores, já que muitos casos de VPPB nunca são diagnosticados.
Além disso, os autores distinguem dois tipos. O primeiro aparece depois da manobra. O segundo surge em quem teve a VPPB que passou sozinha, sem ter sido examinada na época. Isso conta porque, segundo a mesma revisão, cerca de 35% a 50% dos casos se resolvem espontaneamente.
Fabio Horsth Catão (CRFa 22368), que revisou este texto, relata o que costuma ouvir de quem passou por isso:
"Muita gente que faz a manobra e melhora do giro continua com uma sensação de chão mole por semanas. Quando ninguém explica que isso existe, a pessoa acha que a manobra falhou ou que há algo mais grave."
Por que isso acontece
Não existe uma única explicação, e a literatura admite que em mais da metade das pessoas a causa não é identificada. Ainda assim, algumas hipóteses aparecem com frequência:
- restos de cristais ou alterações na parte do ouvido interno que sente a gravidade (o utrículo), que a manobra não corrige por completo;
- demora do cérebro para se readaptar, porque ele se ajustou durante semanas à informação distorcida e precisa de tempo para voltar ao padrão anterior;
- circulação do ouvido interno prejudicada por hipertensão, diabetes ou colesterol alto;
- ansiedade, que mantém o cérebro em estado de alerta e prolonga a sensação de tontura.
Assim, dois tratamentos idênticos podem ter desfechos diferentes, porque parte do problema está no ouvido e parte está na adaptação do sistema nervoso.
A VPPB pode voltar: o que o estudo de sete anos mostrou
Em maio de 2026, a Academia Americana de Otorrinolaringologia divulgou um estudo feito no Hospital Universitário de Getafe, em Madri, que acompanhou 361 pessoas por sete anos depois de uma VPPB tratada com sucesso. Quase metade (47,1%) teve pelo menos uma recorrência. Mais de um terço (37,6%) relatou tontura residual persistente, e 18,9% sofreram ao menos uma queda.
A manobra continua sendo o tratamento de primeira linha, e o estudo não diz o contrário. Os dados sugerem, porém, que a VPPB merece acompanhamento depois da alta, com retorno marcado e orientação sobre o que fazer se a vertigem voltar.
Quem tem mais risco
O mesmo trabalho menciona uma meta-análise com mais de 4 mil pessoas, que associou a tontura residual a idade mais avançada, sexo feminino, VPPB causada por outra condição do ouvido, demora entre o início dos sintomas e o tratamento, ansiedade, osteopenia e início da VPPB no inverno. Para a recorrência da VPPB, outra meta-análise destacou o sexo feminino, a hipertensão, o diabetes, o colesterol alto, a osteoporose e o nível baixo de vitamina D.
Essas associações pedem cautela. Uma relação estatística não prova que um fator cause o outro, e a influência da vitamina D, em especial, ainda está em estudo. Dosagem e suplementação são decisões do médico, nunca de uma receita da internet.
Tontura e ansiedade: um ciclo que se alimenta
A relação entre tontura e ansiedade funciona nos dois sentidos. A sensação de desequilíbrio deixa a pessoa em alerta, o alerta aumenta a percepção da tontura, e o ciclo se repete. Os autores daquela revisão observam que quem tem mais ansiedade tende a se beneficiar menos da reabilitação vestibular e a sentir mais impacto na qualidade de vida. Por isso conversar sobre o medo de cair e sobre o que mudou na rotina faz parte do tratamento.
O que ajuda na recuperação
Os autores da revisão listam três frentes.
A primeira é evitar o uso de rotina de remédios que "seguram" a tontura, como certos calmantes e antialérgicos. As diretrizes não recomendam esse uso, porque eles podem atrapalhar a readaptação do cérebro. Em situações pontuais e por poucos dias, o médico pode usá-los para controlar náusea intensa, e essa decisão é dele.
A segunda é a reabilitação vestibular, um programa de exercícios individualizado de equilíbrio, olhar e adaptação a movimentos. Costuma durar de quatro a oito semanas, e o acompanhamento por um profissional é preferível ao de exercícios soltos em casa.
A terceira é manter a atividade física e cuidar das doenças de base. Retomar as atividades do dia a dia aparece associado a menos tontura residual, e controlar a pressão, a glicose e a ansiedade também entra na conta.
Como se preparar para a consulta
Antes da consulta, um diário simples de tontura ajuda mais do que parece. Anote quando cada episódio começou e o que o provocou, como virar na cama, olhar para cima ou levantar rápido. Registre também quanto durou e se veio com perda de audição, zumbido, náusea ou dor de cabeça. Leve também a lista de remédios em uso e os resultados recentes de pressão e glicemia, porque essas condições entram na investigação. Quem tem audiometrias antigas deve levá-las, já que a comparação mostra se a audição mudou junto com o equilíbrio.
Quando pode não ser VPPB
Nem toda tontura é VPPB, e a diferença pesa. A enxaqueca vestibular provoca episódios que duram de minutos a dias, em geral com dor de cabeça, sensibilidade a luz ou a barulho. A doença de Ménière provoca crises de vertigem espontânea, com zumbido, sensação de ouvido cheio e queda de audição que varia. Para diferenciá-las, a história e a audiometria contam muito, já que a Ménière costuma deixar uma perda de audição nas frequências graves e médias de um dos ouvidos.
Alguns sinais pedem pronto-socorro na hora: fala enrolada, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, visão dupla, dor de cabeça muito forte e repentina ou dificuldade para andar em linha reta. Eles apontam para causas que não estão no ouvido.
VPPB em adultos jovens e em crianças
A VPPB atinge todas as idades, mas quase todos os estudos sobre tontura residual olham adultos acima dos 50 anos. Segundo a mesma revisão, em uma análise com 203 crianças e adolescentes avaliados em um centro de vertigem, a VPPB foi o diagnóstico mais frequente, com 49% dos casos. Outra pesquisa citada no texto descreveu um atraso médio de 172 dias até o diagnóstico em crianças. Isso mostra como o quadro passa despercebido quando ninguém pensa nele.
Quedas: cuidados em casa
A tontura em pessoas mais velhas tem relação direta com o risco de queda. Uma meta-análise de 14 estudos, citada na revisão, mostrou que a tontura se associa a maior chance de quedas futuras. Por isso a prevenção começa dentro de casa:
- Retire tapetes soltos e fios do caminho.
- Instale barras de apoio no banheiro e corrimãos nas escadas.
- Deixe luzes de presença nos trajetos da cama ao banheiro.
- Levante-se devagar, sentando um instante antes de ficar de pé.
- Evite tomar remédios para tontura por conta própria.
Quem quer ampliar o assunto encontra mais informações em a importância do equilíbrio corporal na qualidade de vida e no texto sobre perda auditiva e quedas em idosos.
Audição e equilíbrio: onde a audiometria entra
Muita gente estranha quando, por causa de uma tontura, alguém pede um exame de audição. Fabio Horsth Catão (CRFa 22368) lembra o motivo:
"O ouvido interno cuida da audição e do equilíbrio ao mesmo tempo. Quando tontura e perda de audição aparecem juntas, vale olhar para os dois lados, e a audiometria é o jeito mais direto de olhar para o lado da audição."
Na prática, o exame de audiometria mostra se há perda associada, se ela afeta um ouvido ou os dois e em que frequências. Esses dados ajudam o otorrinolaringologista a separar uma VPPB de outras condições do ouvido interno. Quando a avaliação indica perda auditiva, os aparelhos auditivos entram como parte do cuidado. Ouvir melhor também dá mais referências do ambiente a quem está inseguro nos passos.
Perguntas frequentes
Por que continuo tonto depois da manobra de Epley?
Pode ser tontura residual, um quadro comum depois do tratamento da VPPB. A sensação de instabilidade ou de cabeça pesada costuma melhorar com o tempo e com reabilitação vestibular, mas deve ser avaliada por um profissional.
A VPPB pode voltar?
Sim. No estudo de sete anos feito em Madri, quase metade das pessoas teve ao menos uma recorrência. Por isso vale reconhecer os sintomas e procurar atendimento sem demora quando a vertigem reaparece.
Remédio para tontura resolve?
Não como rotina. As diretrizes não recomendam o uso regular de supressores vestibulares na VPPB, porque eles podem atrapalhar a adaptação do cérebro. Qualquer uso deve seguir a orientação do médico.
VPPB e labirintite são a mesma coisa?
Não. "Labirintite" é um termo popular usado para muitas tonturas. A VPPB é uma condição específica, com gatilho de posição e crises curtas, e tem tratamento próprio. Só a avaliação define o diagnóstico.
Onde fazer audiometria em Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos e Sorocaba?
A Auditif realiza audiometria nas unidades de Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos e Sorocaba. O exame ajuda a verificar o lado auditivo quando há tontura, e a equipe orienta o encaminhamento para avaliação do equilíbrio quando necessário.
Agende sua avaliação auditiva
Se a tontura vem com perda de audição, zumbido ou sensação de ouvido cheio, a avaliação auditiva é um passo útil. Preencha o formulário abaixo e a equipe da Auditif entra em contato.
Informe nome, telefone, e-mail e a unidade de sua preferência: Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos ou Sorocaba.
Escrito por Fabio Horsth Catão
Fonoaudiólogo (CRFa 22368), engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble (França). Diretor e sócio da Auditif, com mais de 20 anos de experiência em gestão, pesquisa e atuação clínica em audição. A Auditif atende em Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos e Sorocaba.
