Perda auditiva súbita é a queda de audição que se instala em poucas horas, ou em no máximo três dias, quase sempre em um só ouvido. Se isso acabou de acontecer com você, procure um otorrinolaringologista ou um pronto atendimento no mesmo dia, sem esperar para ver se melhora sozinha. O fonoaudiólogo Fabio Horsth Catão (CRFa 22368), diretor da Auditif, revisou este conteúdo, que reúne o que as diretrizes internacionais e os estudos mais recentes dizem sobre o assunto.
Em uma parte dos casos, a audição volta total ou parcialmente. A rapidez com que a avaliação começa está entre os fatores que mais pesam nesse resultado.
O que é perda auditiva súbita
A referência mais usada hoje é a diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia, publicada em 2019. Ela define a forma mais comum, a neurossensorial, como uma queda de pelo menos 30 decibéis (dB) em três frequências seguidas, instalada em até 72 horas. Como quase ninguém tem uma audiometria antiga para comparar, o outro ouvido costuma servir de parâmetro. Na rotina dos consultórios e nas pesquisas, critérios um pouco menos rígidos também são usados, então uma queda menor que a da definição não deve ser deixada de lado.
O quadro tem incidência baixa. Segundo o Manual MSD, uma em cada 5.000 a 10.000 pessoas desenvolve perda auditiva súbita por ano. A mesma diretriz lembra que mais de 90% dos casos neurossensoriais são idiopáticos, ou seja, nenhuma causa aparece mesmo depois de uma investigação adequada.
Sinais de perda auditiva súbita que pedem atenção no mesmo dia
A queixa clássica é acordar com um ouvido diferente ou perceber, no meio da tarde, que o telefone deixou de funcionar daquele lado. Algumas pessoas descrevem como ouvido tampado, outras como som abafado ou metálico. Procure atendimento logo quando houver:
- perda de audição em um ouvido que apareceu em horas ou em até três dias;
- zumbido novo, principalmente se veio junto com a perda;
- tontura, em especial a que gira;
- sensação de ouvido cheio ou de pressão;
- dor, secreção, febre, pancada recente na cabeça ou fraqueza em um dos lados do rosto.
Nem todos esses sinais aparecem ao mesmo tempo, e a ausência de dor não tranquiliza. A tontura merece destaque porque audição e equilíbrio dividem estruturas no ouvido interno. Quem passa por isso pode se interessar pelo texto sobre a importância do equilíbrio corporal.
Ouvido tampado ou perda auditiva súbita: como separar
A primeira recomendação forte da diretriz é diferenciar a perda de condução da perda neurossensorial. Na perda de condução, algo atrapalha o caminho do som antes de chegar ao ouvido interno: cera, líquido atrás do tímpano, otite ou uma perfuração. Na neurossensorial, o problema está no ouvido interno ou no nervo auditivo.
A distinção importa porque a cera tem solução simples, enquanto a perda neurossensorial pede pressa. O problema é que, no começo, as duas se parecem muito. Por isso a audiometria compara o que a pessoa ouve pela via aérea (no fone) e pela via óssea (em um vibrador atrás da orelha). Se as duas caem juntas, o foco se desloca para o ouvido interno. Se a via óssea está preservada, algo está bloqueando a passagem do som.
Enquanto isso, evite hastes flexíveis, gotas e lavagens caseiras. Além de atrasar o diagnóstico, esses recursos podem ferir o canal e o tímpano.
Possíveis causas da perda auditiva súbita
Na maioria das pessoas com perda auditiva súbita, a causa não é encontrada. Quando é, as hipóteses mais comuns são infecções virais, alterações do sistema imunológico, problemas na circulação do ouvido interno, trauma de cabeça ou som muito intenso, medicamentos que agridem o ouvido interno e doenças como a de Ménière. Mais raramente, o quadro é o primeiro sinal de outra condição, como um tumor benigno no nervo auditivo. Esse é um dos motivos para o médico considerar uma ressonância.
Esse leque de causas explica por que ninguém deve tentar adivinhar em casa. Dizer que foi o ar-condicionado, a água da piscina ou o estresse não ajuda a decidir nada, e o tempo perdido nessa conversa faz diferença.
O que não explica uma perda súbita e ainda atrasa a procura
Algumas explicações populares fazem a pessoa esperar. A mais comum é atribuir tudo ao ar-condicionado, ao vento ou a uma gripe forte. Outra é achar que foi água do chuveiro ou da piscina, o que de fato acontece, mas costuma causar uma sensação de ouvido tampado que melhora em poucas horas. Existe também a ideia de que o estresse sozinho derruba a audição de um ouvido, e a de que, se não dói, não pode ser grave.
Nenhuma dessas hipóteses dispensa a avaliação. Quando a audição cai com clareza em um ouvido e continua assim por mais de algumas horas, o caminho mais seguro é medir. Se for cera ou água, o exame mostra e a solução é rápida. Se for neurossensorial, o tempo ganho faz diferença.
O que fazer nos primeiros dias
O relógio começa a contar a partir do momento em que a pessoa percebe a perda. A diretriz considera o tratamento com corticoides como opção nas primeiras duas semanas e pede confirmação por audiometria o quanto antes, dentro de 14 dias. Na prática, a orientação mais segura é não esperar nem dois dias para ver se passa.
- Anote o horário em que a perda começou, o que você estava fazendo e quais outros sintomas apareceram.
- Procure um otorrinolaringologista ou um pronto atendimento, mesmo que a audição já tenha melhorado um pouco.
- Não use gotas, remédios ou cotonetes por conta própria.
- Leve audiometrias antigas, se tiver. Elas mostram como era a audição antes e facilitam a comparação.
- Peça o resultado da audiometria por escrito, porque ele servirá de ponto de partida para acompanhar a recuperação.
Na Auditif, esse atraso aparece com frequência, como observa o fonoaudiólogo Fabio Horsth Catão (CRFa 22368):
"Quem perde a audição de um ouvido de um dia para o outro costuma esperar uma semana para ver se passa. Nessa situação, esperar custa caro, e uma audiometria feita antes do tratamento já mostra o tamanho do problema."
Como a perda auditiva súbita é diagnosticada
O médico começa pela conversa e pela otoscopia, que é o exame do canal e do tímpano. Em seguida, a audiometria tonal e vocal confirma se a perda é de fato neurossensorial e mostra seu tamanho em cada frequência. A diretriz também orienta investigar a presença de perda nos dois ouvidos, de episódios que se repetem e de sinais neurológicos. Quando há suspeita de alteração no nervo, a ressonância magnética entra a critério do médico. A tomografia de rotina, por outro lado, não é recomendada na avaliação inicial.
A audiometria tem ainda um papel que passa despercebido. Depois do tratamento, repetir o exame mostra se a audição voltou e em que proporção. Sem um registro de partida, essa comparação perde precisão.
É também o exame que define o rumo do atendimento, explica Fabio Horsth Catão (CRFa 22368):
"A audiometria separa a perda de condução da neurossensorial, e essa diferença muda toda a conduta. Depois do tratamento, repetir o exame mostra se a audição voltou e quanto."
Quem quer entender melhor o exame pode ler sobre o exame de audiometria e sobre os principais exames para diagnóstico da perda auditiva.
Tratamento da perda auditiva súbita: o que dizem as diretrizes
O tratamento é decisão do médico. Mesmo assim, saber o que a literatura apresenta ajuda a conversar com ele. A diretriz de 2019 trata os corticoides como uma opção para iniciar a terapia dentro de duas semanas, porque os estudos que a sustentam têm resultados variados. Um ensaio clínico randomizado publicado no JAMA em 2011, por sua vez, mostrou que a aplicação do corticoide dentro do ouvido médio não foi inferior ao comprimido de prednisona, o que dá ao médico mais de um caminho possível.
A mesma diretriz recomenda não prescrever de rotina antivirais, vasodilatadores e outras substâncias que já foram muito usadas, por falta de evidência de benefício. Nenhuma opção garante a volta da audição, e a escolha depende do tempo de evolução, do exame e da avaliação médica.
Perda auditiva súbita em crianças e adolescentes
A perda auditiva súbita também aparece em quem é mais jovem, embora seja menos lembrada. Um estudo retrospectivo com 145 crianças e adolescentes de até 18 anos, atendidos em dois centros, procurou entender o que influencia o resultado. Os pesquisadores observaram que a presença de zumbido, a gravidade da perda no início, o tempo até a avaliação e o formato do audiograma estavam relacionados ao prognóstico.
Como os pequenos nem sempre conseguem descrever o que sentem, a atenção da família conta muito. A criança que passa a virar o ouvido bom para o som, pede para repetir ou reclama de zumbido merece avaliação rápida, sem esperar que a escola perceba. A página sobre perda auditiva na infância reúne mais informações para pais e cuidadores.
E se a audição não voltar por completo
Depois de uma perda auditiva súbita, parte das pessoas fica com alguma perda residual, e a própria diretriz recomenda orientar sobre os recursos de reabilitação para a audição que sobrou e para o zumbido. É nessa etapa que o trabalho do fonoaudiólogo ganha espaço. A audiometria mostra o que restou, e os aparelhos auditivos podem devolver parte do conforto na comunicação.
Quando a perda se concentra em um único ouvido, o desafio é particular. Localizar a origem do som e entender conversas em ambientes barulhentos fica mais difícil, e há soluções específicas para esse perfil, que a página sobre perda auditiva unilateral detalha. O zumbido, que costuma acompanhar o quadro, também merece acompanhamento, e a abordagem dele varia bastante de pessoa para pessoa.
Mesmo quando a recuperação é boa, vale repetir a audiometria em intervalos combinados com o médico. O registro seriado mostra se a audição estabilizou, se houve nova queda e se o outro ouvido segue sem alterações. Quem já teve perda auditiva súbita deve tratar qualquer novo episódio com a mesma pressa.
Perguntas frequentes
A audição volta depois de uma perda auditiva súbita?
Em uma parte dos casos, sim, total ou parcialmente. O que se sabe é que iniciar a avaliação cedo aumenta as chances de um bom resultado. Por isso a recomendação é procurar atendimento no mesmo dia em que a perda é percebida, sem esperar a semana seguinte.
Pode ser só cera ou água no ouvido?
Pode. A cera e a água retida causam perda de condução, que é muito mais comum e tem solução simples. Só que a diferença entre isso e uma perda neurossensorial não é visível a olho nu. A otoscopia e a audiometria fazem essa separação, e a dúvida não deve ser resolvida em casa.
Posso esperar alguns dias para ver se melhora?
Não é o recomendado. A diretriz fala em audiometria o quanto antes e em tratamento dentro de duas semanas, e cada dia de espera reduz a margem de decisão do médico.
A perda auditiva súbita sempre vem com tontura?
Não. Muitas pessoas notam apenas a queda de audição, às vezes acompanhada de zumbido. Quando a tontura aparece junto, o quadro pede avaliação ainda mais rápida, porque o ouvido interno abriga audição e equilíbrio.
Onde fazer audiometria em Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos e Sorocaba?
A Auditif realiza audiometria nas unidades de Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos e Sorocaba. Lembrando que, em uma perda súbita, o primeiro passo é o atendimento médico com otorrinolaringologista ou pronto atendimento. A audiometria entra como parte da investigação e do acompanhamento da recuperação, e a equipe orienta o encaminhamento quando necessário.
Agende sua avaliação auditiva
Se você ou alguém da família notou mudança na audição, uma avaliação organizada ajuda a decidir os próximos passos com calma. Preencha o formulário abaixo e a equipe da Auditif entra em contato.
Informe nome, telefone, e-mail e a unidade de sua preferência: Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos ou Sorocaba.
Escrito por Fabio Horsth Catão
Fonoaudiólogo (CRFa 22368), engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble (França). Diretor e sócio da Auditif, com mais de 20 anos de experiência em gestão, pesquisa e atuação clínica em audição. A Auditif atende em Mogi das Cruzes, Suzano, Guarulhos e Sorocaba.
