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Neuromodulação Bimodal: o Novo Tratamento Internacional Para Zumbido

Neuromodulação Bimodal: o Novo Tratamento Internacional Para Zumbido

11/09/2026

Neuromodulação bimodal é o nome técnico de um dos tratamentos mais comentados internacionalmente para zumbido crônico nos últimos anos. Além disso, ela volta a ganhar espaço no Brasil nesta semana. O motivo é o Tinnitus Talk 2026, encontro científico que reúne otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos em Salvador, nos dias 28 e 29 de agosto. Fabio Horsth Catão (CRFa 22368) assina a revisão técnica deste conteúdo. Ele é fonoaudiólogo, engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble, e dirige a Auditif.

Comecemos pelo mais importante. O dispositivo mais conhecido dessa categoria, o Lenire, não tem registro confirmado na Anvisa. Também não tem, por enquanto, distribuição oficial no Brasil. Por isso, este texto explica a tecnologia com precisão científica, sem sugerir que ela já está disponível por aqui. Ele termina mostrando o que já é possível fazer hoje, com evidência sólida, para quem convive com zumbido persistente.

O Que É Neuromodulação Bimodal

A ideia por trás da neuromodulação bimodal é simples de entender, mesmo sendo tecnicamente sofisticada. Afinal, as terapias sonoras tradicionais estimulam só o sistema auditivo. Esse tratamento, no entanto, vai além: combina dois estímulos sensoriais ao mesmo tempo. Um é o som, entregue por fones de ouvido. O outro é um leve estímulo elétrico na língua, entregue por um pequeno dispositivo colocado na boca.

A lógica por trás da neuromodulação bimodal é que a língua tem uma densidade enorme de terminações nervosas. Essas terminações, por sua vez, se conectam a regiões do tronco cerebral próximas às vias auditivas. Dessa forma, estimular os dois sistemas em sincronia parece induzir mudanças na forma como o cérebro processa e reage ao zumbido. Isso acontece de forma repetida, ao longo de semanas de tratamento. O nome técnico desse processo é neuroplasticidade. Ou seja, é o mesmo mecanismo que explica por que o cérebro consegue se adaptar a mudanças na audição ao longo da vida. Essa adaptação pode ser para o bem ou para o mal.

Os Resultados dos Estudos Clínicos

O dispositivo mais estudado nessa categoria de neuromodulação bimodal é o Lenire. Ele passou por três grandes ensaios clínicos. Em 2023, por exemplo, recebeu a aprovação De Novo da FDA, agência regulatória americana. Foi a primeira aprovação desse tipo concedida a um dispositivo de neuromodulação bimodal para zumbido. O estudo mais recente, publicado na revista Nature Communications em 2024, acompanhou pacientes com zumbido moderado a grave. Comparou duas fases de tratamento: uma só com estímulo sonoro, outra combinando som e estimulação da língua.

O resultado: 58,6% dos participantes responderam ao tratamento combinado. Na fase de som isolado, por outro lado, apenas 43,2% responderam. Segundo os pesquisadores, essa diferença é estatisticamente relevante. Além disso, outro estudo, publicado na Nature Scientific Reports, acompanhou pacientes que completaram o protocolo completo, sem restringir a análise por gravidade do quadro. Nesse grupo, 95% relataram alguma melhora, e nenhum evento adverso grave relacionado ao dispositivo foi registrado nos estudos publicados.

Fabio Catão (CRFa 22368) pondera o que esse tipo de resultado significa, e o que não significa.

“É um resultado consistente, publicado em revistas de peso, com metodologia controlada. Não é um caso isolado de marketing”, explica ele. “Os próprios estudos mostram que o benefício foi mais claro nos casos moderados a graves, não no caso de quem tem zumbido leve e ocasional.”

O Dispositivo Chegou a Portugal. E ao Brasil?

Em abril de 2026, a Neuromod Devices, empresa irlandesa por trás do Lenire, anunciou uma parceria com a rede de clínicas Acusis. O objetivo era disponibilizar o dispositivo em oito cidades portuguesas. Foi esse movimento, expansão para um país de língua portuguesa, que fez a notícia circular também na imprensa brasileira nas últimas semanas. Para quem lê rápido, isso pode gerar a impressão de que o tratamento já teria chegado por aqui.

Não chegou. Até a publicação deste conteúdo, não existe registro público do Lenire na Anvisa, nem distribuidor oficial reconhecido no Brasil. Isso não significa, porém, que nunca vai chegar. Na verdade, o histórico de outros dispositivos e medicamentos aprovados primeiro nos EUA e na Europa mostra que a chegada ao Brasil costuma acontecer. O processo segue a regulação da Anvisa, que pode levar tempo. Por isso, vale desconfiar de qualquer site ou anúncio que ofereça o dispositivo à venda direta para o Brasil sem esse processo.

Como Funciona a Chegada de Novos Dispositivos ao Brasil

Existe uma razão concreta para essa demora entre a aprovação nos Estados Unidos ou na Europa e a chegada oficial ao mercado brasileiro. A Anvisa, por exemplo, exige um processo próprio de registro para equipamentos médicos. Isso pode incluir análise de dados de segurança e eficácia, documentação técnica e, em alguns casos, estudos complementares. Vale mesmo quando o dispositivo já tem aprovação em outros países. Esse processo existe, sobretudo, para garantir que o produto vendido no Brasil tenha o mesmo padrão de segurança testado internacionalmente.

O tempo entre aprovação internacional e chegada ao Brasil varia bastante. Pode levar poucos meses ou vários anos, dependendo da categoria do produto e da prioridade dada pelo fabricante em buscar o mercado brasileiro. Por isso, é comum ver noticiário brasileiro cobrindo avanços internacionais em saúde muito antes desses avanços estarem realmente acessíveis por aqui.

Por Que Acompanhar Mesmo Assim

Acompanhar esse tipo de avanço, mesmo antes de chegar ao Brasil, tem valor prático. Primeiro, ajuda a entender por que o tratamento do zumbido está mudando. A abordagem tradicional era única: mascarar o som. Hoje, surgem abordagens que tentam efetivamente modificar a resposta do cérebro. Segundo, é um bom lembrete de que a área segue em movimento. Por fim, o assunto será justamente um dos temas centrais discutidos no Tinnitus Talk 2026, em Salvador. O evento reúne profissionais de todo o país para atualização sobre exatamente esse tipo de avanço.

O Que Já é Possível Fazer Hoje no Brasil

Enquanto a neuromodulação bimodal não chega oficialmente ao país, o caminho com evidência sólida começa sempre pelo mesmo lugar: entender a causa do zumbido. Um exame de audiometria identifica se existe perda auditiva associada, o que acontece na maioria dos casos. Quando existe, o uso de aparelho auditivo com recursos de terapia sonora já é uma abordagem com respaldo científico consistente. Não é uma alternativa de segunda linha.

Terapia sonora tradicional, técnicas de manejo do estresse e investigação de causas tratáveis continuam sendo o ponto de partida recomendado por diretrizes clínicas internacionais. Isso vale para cera acumulada, pressão alta ou efeito colateral de medicação, independentemente de qual tratamento mais avançado esteja em discussão. Se você já investigou essas causas, o próximo passo é entender as opções de amplificação sonora disponíveis. Conhecer os aparelhos auditivos e acessórios que já fazem parte do tratamento padrão-ouro ajuda nessa decisão.

Um Tratamento Novo Vale a Espera?

Fabio Catão (CRFa 22368) resume a orientação que costuma dar a quem chega ao consultório animado com uma tecnologia que viu na internet.

“Comece pelo que já está disponível e tem evidência”, diz ele. “A maioria das pessoas com zumbido melhora bastante só com avaliação adequada, tratamento da causa e, quando cabe, aparelho auditivo bem ajustado. Certamente, tecnologias como a neuromodulação bimodal são promissoras e merecem atenção. Não é razoável, porém, esperar por um tratamento que ainda não chegou ao país enquanto existe manejo eficaz disponível agora.”

Em resumo, se o seu zumbido já foi investigado e as causas tratáveis foram descartadas, o caminho que existe hoje continua sendo o mais sólido no Brasil. Esse caminho inclui avaliação completa, terapia sonora e, quando indicado, aparelho auditivo.

Perguntas Frequentes

O Lenire está disponível para comprar no Brasil?

Não há registro confirmado do dispositivo na Anvisa nem distribuidor oficial reconhecido no país até o momento. Desconfie de sites que ofereçam o produto para venda direta ao Brasil sem esse respaldo.

Neuromodulação bimodal é uma cura para o zumbido?

Não. Assim como outros tratamentos, a neuromodulação bimodal não é vendida pelos próprios pesquisadores como cura garantida para todo tipo de zumbido. Os estudos mostram que o benefício foi mais consistente em casos moderados a graves.

Compensa esperar esse tratamento chegar ao Brasil em vez de investigar o zumbido agora?

Não. A investigação da causa do zumbido deve acontecer independentemente de qualquer tratamento novo, já que a maioria dos casos tem explicação e manejo disponível hoje.

O que é o Tinnitus Talk 2026?

É um encontro científico nacional sobre zumbido, tontura e saúde auditiva. Acontece em Salvador nos dias 28 e 29 de agosto de 2026, reunindo profissionais de otorrinolaringologia, fonoaudiologia e áreas relacionadas.

Onde investigar a causa do meu zumbido em Mogi das Cruzes, Suzano ou Guarulhos?

A Auditif atende nas três unidades, com avaliação que investiga a causa do zumbido antes de qualquer indicação de tratamento.

Pronto para agendar uma avaliação com a Auditif?

O formulário desta página já permite agendar uma avaliação. Basta preencher com seus dados e escolher a unidade mais próxima: Mogi das Cruzes, Suzano ou Guarulhos.

Escrito por

Conteúdo produzido pela equipe da Auditif e revisado por Fabio Horsth Catão, fonoaudiólogo (CRFa 22368), engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble (França). Diretor e sócio da Auditif, atua há mais de 20 anos em gestão, pesquisa e atuação clínica em audição, com unidades em Mogi das Cruzes, Suzano e Guarulhos.

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